quinta-feira, 13 de maio de 2010

Necessidades

Para que nos sintamos bem com nós próprios precisamos de satisfazer as nossas necessidades. Na pirâmide das necessidades desenvolvida por Abraham Maslow há três níveis de necessidades. Na base estão as necessidades básicas, no centro as necessidades psicológicas e no topo a necessidade de realização pessoal. Para que um indivíduo atinja o bem-estar e o topo da pirâmide é preciso que todos os patamares abaixo estejam realizados.

· Necessidades fisiológicas: são estas necessidades que estão na base da pirâmide. A fome, a sede, o sono, o evitamento da dor são vitais para que haja um equilíbrio interno do organismo. Assim sendo, o comportamento humano é dominado pela satisfação dessas necessidades: só se sente necessidade de segurança se as necessidades fisiológicas estiverem saciadas. Daí que uma pessoa esfomeada arrisque a vida para comer.

· Necessidades de segurança: todo o indivíduo depois de satisfazer as necessidades fisiológicas procura sentir-se protegido e seguro relativamente a possíveis situações de perigo. Este procura dispor de um ambiente estável sem sentir necessidade de protecção em caso de medo ou ansiedade. A necessidade de afiliação só é atingida se o patamar da segurança for preenchido.

· Necessidades de afiliação: esta necessidade está relacionada com o desejo de o indivíduo estar com os outros e ser aceite pelos outros. É a necessidade de dar e receber afecto, amor e confiança. Esta necessidade revela-se na procura de fazer parte de grupos: família, amigos, trabalho.

· Necessidades de estima: as necessidades de estima correspondem à necessidade de se sentir estimado e respeitado. Segundo Maslow, a auto-estima dependeria em grande parte da satisfação desta necessidade. A necessidade de se sentir útil e competente dependeria das necessidades de estima. Os sentimentos de autoconfiança são desenvolvidos pela satisfação das necessidades de estima, a frustração pode dar origem a sentimentos de inferioridade.

· Necessidades de auto-realização: segundo Maslow, a necessidade de auto-realização é a necessidade que cada um tem de realizar o seu potencial “tornando-se em tudo aquilo em que uma pessoa é capaz de se tornar”. Porém, só existe motivação de necessidade de realização se os restantes níveis abaixo estiverem preenchidos e saciados. As necessidades de auto-realização manifestam-se pela necessidade de cada um:

Ø Concretizar as suas potencialidades;

Ø De atingir a sua realização pessoal;

Ø Conseguir obter êxito e sucesso.

Autonomia

Actualmente existindo diferentes factores para o processo da transição para adulto, o termo independência passa a ser substituído por autonomia. No passado, ser adulto referia-se a ser independente dos pais, quer financeira quer emocionalmente, nos nossos dias não se é completamente independente, mas é possível ser-se completamente autónomo.

Muitos psicólogos dedicam-se a estudar a evolução espiritual durante o desenvolvimento do ser humano. Acreditam que esta evolução é caracterizada por uma mudança da dependência dos ideais dos outros para a autonomia. Com isto, o indivíduo é capaz de quadrar os princípios abstractos da fé com a sua realidade do dia-a-dia.

Rogers ponderou que as pessoas têm uma tendência natural para crescer e se auto-actualizarem, estão sempre a renovar ideias, crenças, etc. Tornar-se pessoa é orientado, entre outros, para a direcção da autonomia. O caminho para a autonomia envolve em primeiro lugar liberdade. Ser adulto necessita de liberdade de escolha, sem se abstrair do que já é determinado, de fazer as suas próprias decisões e ser capaz de as realizar e executar algo sozinho: “ a pessoa madura (…) utiliza a mais absoluta liberdade quando espontaneamente, livremente e voluntariamente escolhe e deseja o que é também absolutamente determinado” (Rogers).

Para atingir a autonomia, os jovens adultos necessitam prioritariamente do apoio familiar, da versão igualitária e individualista da família. Contudo, a busca de ser autónomo marca a relação de “coabitação” entre os jovens adultos e os pais; esta constrói-se com negociações acerca das condutas no lar, criando assim consensos que permitem a construção de uma relação de igualdade. Concluindo que a autonomia é um indicador de saúde entre o jovem e a família como um todo.

Estabilização

O que é normal dizer é que a vida adulta é uma etapa de estabilidade, sem grandes mudanças, visto que as transformações físicas mais visíveis aconteceram na adolescência e nesse período a pessoa criou a sua identidade. Assim, a vida adulta é a fase de estabilidade onde a personalidade do indivíduo não sofre quaisquer alterações.


Levinson pondera que a vida adulta é marcada por períodos de estabilidade e transição. O indivíduo para atingir a fase de estabilidade procura integrar-se na sociedade, ocorrendo assim mudanças na forma de ele se ver a si próprio, ao mundo e aos outros. Os papéis que a pessoa assume na sociedade têm essencial importância (casamento, nascimento de filhos, trabalhar, divórcio, viuvez, desemprego, etc), a relevância destes papéis surge na forma como o sujeito encara esses papéis e pelas expectativas sociais acerca dos mesmos.


Assim, a estabilização pode muitas vezes não ser atingida dependendo de como o indivíduo pensa que a sua vida está decorrer. Por outro lado, vários autores, dizem que a vida adulta não é uma fase de estabilidade, pois não é imutável, ocorrem sempre mudanças psicologicamente e ao nível dos papéis que o sujeito desempenha. Contudo, pensar que já se atingiu a estabilidade em adulto depende da pessoa. Um sujeito pode levar uma vida boa e pensar que estabilizou e outro levar também uma vida boa e pensar que ainda não atingiu a estabilidade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Aprendizagem

Pensa-se que em adulto já se aprende pouco e quando se é idoso já não existe nada para aprender, mas o ser humano está ao longo da sua vida sempre a aprender. Existe um velho ditado português “burro velho não aprende línguas”, em que dá a ideia de que o adulto não está inclinado para novas aprendizagens; nos dias de hoje vários psicólogos confirmam que a aprendizagem não acaba.

É através dos problemas da vida quotidiana, os quais os adultos tentam arranjar formas de resolver, que se verifica o conhecimento e a aprendizagem na vida adulta. Vários autores com Smith e Knox afirmam que como o adulto precisa de dar resposta aos vários problemas que se lhe colocam pela frente, este está mais apto a efectuar novas aprendizagens.

Nos poucos estudos que existem acerca da vida adulta vários investigadores definiram alguns tipos de aprendizagens. A aprendizagem transformativa em que, segundo Mezirow, os adultos não têm novos conhecimentos que são “adicionados” aos já existentes, mas sim de transformação de esquemas de sentido (atitudes, reacções emocionais, crenças, etc., que constituem modos de expectativa e interpretação da experiência pessoal), construindo assim uma nova perspectiva de sentido que fará com que se crie outra visão da realidade. “Os aprendentes devem reflectir criticamente sobre as suas experiências, a qual por sua vez conduz à transformação de perspectivas”, essencialmente, a aprendizagem dos adultos envolve o “processo de justificação e validação de ideias comunicadas e de pressupostos das aprendizagens anteriores”. Os indivíduos agem de acordo com os princípios impostos. Brookfield afirmou que a aprendizagem moral na vida adulta é centrada em cinco fases que se interligam:

1. Aprender a estar ciente da inevitável contextualidade do raciocínio moral;

2. Aprender que a moralidade é determinada colectivamente, sendo transmitida e reforçada por essa mesma colectividade;

3. Aprender a reconhecer a ambiguidade do raciocínio moral e a acção moral;

4. Aprender a aceitar as próprias limitações morais;

5. Aprender a ser auto-reflectivo acerca do próprio raciocínio moral, envolvendo “ a aplicação da reflexão critica acerca das nossas decisões morais”.

Na entrada da vida adulta vamos aprendendo a moral do que nos rodeia com crítica e reflexão das nossas decisões.

Fases de Desenvolvimento

O indivíduo está em crescimento contínuo, desde formas simples de vida até formas mais complexas, isto é, o seu desenvolvimento vai da imaturidade até à maturidade, sendo esse o objectivo. Assim, este progresso, segundo vários autores, divide-se em quatro fases:
  • Desenvolvimento da personalidade (por Erikson) - aqui o individuo depois de ter desenvolvido a sua identidade depara-se com a crise da intimidade, isto é, a capacidade de intimidade psicossocial (sexual, amizade, etc), esta etapa tem um senão, o isolamento, ou seja, a incapacidade de se arriscar para a própria intimidade; outra etapa nesta fase é a generatividade, onde o indivíduo cria a preocupação de ter ou não filhos, de estabelecer e orientar a geração seguinte, esta etapa também possui um senão, a estagnação, isto é, acontece uma regressão na intimidade e um tédio; a última etapa desta fase é a integridade, o indivíduo aceita o seu ciclo de vida e das pessoas para ele importantes, o senão desta etapa é o desespero, onde o indivíduo sente que o tempo é demasiado curto para recomeçar a vida e encontrar rumos alternativos.
Nesta fase Loevinger apresentou também o desenvolvimento do ego, onde o indivíduo cria uma forma de se ver a si e aos outros.
  • Desenvolvimento intelectual/cognitivo - este desenvolvimento efectua-se ao longo da vida e aqui o indivíduo desenvolve o seu raciocínio reflexivo, onde pensa que existe resposta para todos os problemas, vai tentando alcançar o conhecimento e desenvolvendo crenças, pontos de vistas aos contextos que lhe aparecem.
  • Desenvolvimento moral - aqui o indivíduo evolui de um estádio heterómono (obediência à autoridade, egocentrismo, rigorosa adesão a regras e deveres) para um estádio autónomo (capacidade crítica e reflectiva sobre as regras, aplicação dessas regras baseando-se no respeito e compreensão)
  • Desenvolvimento espiritual - esta fase é uma continuação da anterior, onde Fowler afirma que "a e abertura das diferenças culturais e do raciocínio moral, desenvolvem no indivíduo uma visão mais relativa e não tão absoluta da realidade: é o início da para o pensamento relativo e dialéctico", isto é, o indivíduo liberta as suas perspectivas acerca das crenças e acções morais.

Aspectos da passagem a adulto

A transição para adulto é essencialmente psicológica, pois as mudanças físicas ocorreram maioritariamente na adolescência.
Existem vários aspectos psicológicos na passagem para a vida adulta, muitos ainda estudados por vários psicólogos. Nós decidimos focarmo-nos em seis aspectos principalmente.
  1. Fases de Desenvolvimento
  2. Aprendizagem
  3. Estabilização
  4. Autonomia
  5. Necessidades
  6. Maturação

terça-feira, 11 de maio de 2010

Transição para a vida adulta

Diz-se que a adolescência começa com a puberdade, mas dizer quando esta termina já nem todos sabem. Pois a atribuição do estatuto de adulto varia de cultura para cultura.

A vida adulta é compreendida como uma fase de estabilidade. Esta fase é marcada por várias transições e transformações que pertencem ao processo de maturação do indivíduo. Uma das transições mais marcantes é a passagem directa de jovem para adulto.

O processo de passagem para a vida adulta dependerá do meio social, económico e cultural do jovem, isto é, a transição caracteriza-se por factores estruturais, como as dificuldades de transição para a vida activa com a crise económica, o desemprego; o prolongamento da escolarização; os modelos culturais; os papéis de género e factores sociais, individuais e familiares, como a incerteza em relação ao futuro. Nos dias de hoje, este processo tende a constituir-se, por si mesmo, uma fase marcada por condições, oportunidades e dificuldades.

Os investigadores Abrantes e Guerreiro apontam dois tempos em que se realiza esta transição: no primeiro o jovem adulto isenta-se de grandes preocupações e dedica-se a experiências e aventuras; no segundo, já com estabilidade e responsabilidade pensa em casar e ter filhos.

O prolongamento em casa dos pais, ou só o apoio destes e dos restantes familiares é bastante importante para a passagem a adulto. Os vários pontos de vista das várias gerações acerca de como é a vida estabelecem entre a família uma relação de solidariedade que permitirá força, equilíbrio, vontade, tranquilidade ao jovem adulto.

Cronologia da idade adulta


Já explicámos que a entrada na maioridade depende da cultura a que se pertence, mas normalmente existe um seguimento comum em maioria das culturas:
  • Como a adolescência abrange aproximadamente toda a segunda década de vida, o princípio da fase adulta inicia-se por volta dos 20 anos e continuará por mais uma década até aos primeiros anos de matrimónio ou relação equivalente. Depois com o matrimónio e a criação de filhos estamos na fase de estabelecimento, entrando na meia-idade por volta dos 40 anos. Dos 60 aos 65 entramos na fase de transição para a velhice.